Papel da OKBr frente às fakenews


#1

Pessoal, gostaria de compartilhar com vocês minha preocupação em relação às fakenews ou notícias falsas. Acredito que vai ser uma das questões chaves das eleições de 2018.
É um assunto que afeta diretamente a qualidade da nossa democracia.
Gostaria de saber se vocês acham que a OKBr deveria ter um papel mais proativo na construção de soluções para apurar fakenews?
Ou algum outro tipo de atuação nesta agenda?
Muito obrigado!
Abraços,
Ariel


Open Data e Agenda 2030
Marcha pela Ciência, por aqui e pelo mundo
Dúvida sobre evento
#2

Ni! Uma boa levantar essa discussão.

Como de costume, para não comprarmos uma narrativa “fake” do próprio fenômeno, é bom partirmos duma contextualização do que recentemente tem-se chamado ‘fakenews’.

Em primeiro lugar, reconhecendo que ‘fake news’ não é um fenômeno recente. Dar versões alternativas dos fatos ou mesmo inventar factóides sempre foi e continua sendo uma opção nas mesas de edição, tanto da grande mídia como de mídias de menor escala.

Há também uma reflexividade onde as grandes mídias tendem a acusar as alternativas de gerar falsas notícias, enquanto estas fazem a acusação reversa. Evidentemente, dado que a grande mídia tem maior alcance e poder simbólico, acaba reverberando mais a sua versão de que notícias falsas são caso de mídias alternativas, deixando-as mais imunes à esse tipo de crítica e reforçando sua liberdade para abusar de notícias falsas.

Um dos instrumentos fundamentais na reação às falsas notícias são as agências de verificação de fatos ("fact checking’). Temos algumas em território brasileiro, das quais destacaria a Agência Pública. De outro lado mecanismos de busca tem tentando sinalizar resultados provenientes ou confirmados por essas agências.

Ao mesmo tempo, é preciso considerar que a construção social do que é “fato” ou “verdadeiro” se dá pela forma como a ação individual está predisposta em uma cultura.

Minha sugestão é que a OKBR está melhor posicionada para agir neste âmbito de mudança cultural, que me parece encontra-se menos cuidado, e não no fornecimento de serviços de verificação de fatos.

Algo na linha de identificarmos boas práticas, inventarmos novas práticas positivas, e propormos e cobrarmos agências e outros atores do sistema de notícias a seguí-las.

Ao mesmo tempo, trabalhar com uma mudança cultural na população a respeito da construção do conhecimento factual, para popularizar valores e hábitos que detenham as notícias falsas.

Um exemplo muito simples porém crítico é o fato dos grandes jornais não incluirem ligações para fontes jornalísticas ou acadêmicas externas, mesmo quando mencionadas numa matéria. Eles fazem isso para prender a atenção do espectador, ao custo de bloquear o desenvolvimento de uma cultura de questionamento de fontes por parte dos leitores.

O mundo aberto tem algo de fundamental a ensinar sobre isso, por exemplo a Wikipédia se fundamenta na política exatamente oposta: não se citam fatos sem fornecer o mais direto e facilitado link para as fontes.

Acho que nesse contraste reside uma ação interessante que a OKBR poderia tocar!

Abraço,
ale


#3

Oi gente, terei diversos pontos para concordar e discordar do Abdo, vou soltando aos poucos ao longo da semana… Vou tratar apenas um,

Em primeiro lugar, reconhecendo que ‘fake news’ não é um fenômeno recente. (…) grande mídia (…)

Exato, tem algo que não é recente, e acredito que seja a coisa mais antiga da humanidade, “verdade vs mentira”. E tem tudo haver com o chamado “conhecimento objetivo”, que são as verdades científicas, legislativas e jurídicas. Cada qual com seu sistema de prova… Mas tem algo que é novo: é importante termos uma posição sobre isso, o que há de novo no universo da “verdade vs mentira”?

Se a mídia é o quarto poder, então esse poder não pode ser exercido de forma irresponsável. Mentiras deslavadas e distorções descaradas dos fatos não podem ser mais transmitidas em “pacotes da mídia”. Essa é a grande novidade (!). Com a transparência, o registro de digital (videos, narrativas, etc.) de testemunhos, registro científico de provas, criamos uma imensa massa de “fontes de verdade consensual e incontestável”.

Enfim, a novidade é que podemos afirmar com todas as letras certas verdades consensuais e penalizar o mentiroso que a contesta no quarto poder. Na União Européia essa penalização está sendo incorporada ao sistema jurídico, de forma sólida — e não por um caminho obscuro e ditatorial como já ocorreu no passado (facismo, inquisição, etc.).

Exemplos:

  • Nenhuma mídia brasileira pode dizer que uma lei federal brasileira não existe se ela está registrada no LexML (e outros tantos repositórios mais, oficiais e espelhos homologados por terceiros).
    Por exemplo, aqui na OKBR brigamos em 2014 pela Lei 12.965… Ai do jornal, revista ou matéria de Facebook que disser que a Lei não existe :slight_smile:

  • Nenhum cientista no mundo pode dizer que o átomo não existe, ou que a entropia não existe… Assim como nenhum inventor pode defender a ideia do moto-contínuo: se a Veja anunciasse como verdade as maravilhas que diz o inventor, para inflamar o lobby no CNPq e destinar R$ 100 milhões para o inventor, a Veja estaria produzindo “fake news”.
    O Governo só pode investir dinheiro público em obras de engenharia, invenções, pesquisas, etc. consistentes com as verdades repetidas e consensuais nos 4 milhões de artigos do PubMed Central, no meio milhão de artigos do SciELO, nas nossas bibliotecas, etc.

  • … os Hoaxes… possuem uma meia verdade, mas uma intensão deliberada…
    Se usamos o conceito acima, nao tem porque separar meia de inteira, não importa se foi deliberado ou por ignorância, o exercício de poder requer atenção, respeito e um mínimo de suor para não dizer bobagem.


Tópico pra debate

Fica por hora a sugestão de usarmos um referencial mais objetivo aqui nesta discussão, com verdades e “fake news” que todos da OKBR tiveram contato na época,

Número de pessoas e de cidades que participaram das manifestações nas ruas do Brasil em 2013.


#4

Valeu @solstag e @ppkrauss
Entendo que a primeira proposta concreta é levantar boas práticas de fact checking pelo mundo, é isso? Entendi bem?


#5

Olá Gente, entrando agora na OKBr…

Acho que isso é hoje o maior problema democratico nacional… Isso não ocorre somente pela midia, mas também no disse que me disse dentre todos os meios de comunicação possíveis…

Assim, acho que a melhor maneira de combater isso é por meio de uma CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO. Demonstrar o quão pernicioso pode ser a propagação de uma falsidade… das consequencias legais disso… de repensar e se informar antes de replicar uma noticia… cobrar as fontes desta noticia? Isso me traz em mente um pouco da série Black Mirror… Que traz grande impacto em questões nesse sentido, por meio de uma estratéga bem efetiva. Enfim, a idéia a estimular o pensamento crítico… talvez um processo menos imediato, porém mais eficaz.

Me parece que a missão de filtrar Fake News seja um processo muito gigantesco.

Eventualmente, pode-se utilizar “Cases” modelos para demonstrar o quão deturpado pode ser uma informação compartilhada, como parte desta campanha.

Estou super a disposição para ajudar em algo neste sentido @arielkogan e demais colegas.

Abraço a todos,
Gabriel B. Coutinho


#6

Pessoal, vejam que interessante a iniciativa do ITS: https://itsrio.org/pt/projetos/fake-news/


#7

Eu sou muito fã do Gilad Lotan, que tem uma análise bem profunda sobre o complexo fenômeno.
https://points.datasociety.net/fake-news-is-not-the-problem-f00ec8cdfcb.
Concordo com o Abdo, se compreendi bem, no sentido de que nossa missão de criar uma cultura de busca de dados é o melhor antídoto contra fake news. Acho uma missão importante e não devemos perder o foco.
Sobre a imprensa, os jornalistas têm códigos de ética e acho improdutivo querer ser o xerife de toda uma categoria profissional.
O que se poderia fazer para as eleições 2018 é um post ou um manual simplificado de busca de dados, voltado para a população, explicando onde estão os principais dados que serão usados em campanhas, de saneamento, educação, PIB, crime, etc. Se tivermos tempo e recursos, um videozinho seria supimpa.


#8

Oi gente, de tudo que leio, inclusive olhando os links citados, me vem a sensação de que a Fakenews é uma fakenews, estão re-embalando algo velho como novo :slight_smile:

Mesmo como movimento, de Galileo Galilei a Carl Segan, todos já faziam campanha contra as falácias, olds or news… E a nossa Escola de Dados idem, há tempos vinha ensinando os jornalistas a criarem boas news, sem nada de fake.


Então o que fazem de tão bem e de diferente o pessoal da Agência Aos Fatos? O que fazem os tais fact-checkers? Me parece que um bom ponto de partida é aquilo que defendem como princípios. Os IFCN code of principles foram expressos em termos de compromissos:

  • COM A NÃO-PARCIALIDADE E A EQUIDADE
  • TRANSPARÊNCIA DE FONTES
  • TRANSPARÊNCIA DE FINANCIAMENTO E ORGANIZAÇÃO
  • TRANSPARÊNCIA DA METODOLOGIA
  • CORRECÇÕES ABERTAS E HONESTAS

… Em parte isso ajuda a subsidiar a proposta do @arielkogan, “levantar boas práticas de fact checking pelo mundo”. A posição da OKBR não seria de fazer fact-checking, mas ensinar a fazer: no Gastos Abertos, no QueriDO, etc. não damos conta da demanda, que é imensa (!), mas mostramos como fazer.

Voltando aos princípios do fact-checking: são quase um plágio do que se faz em Ciência, ou seja, faltou citarem as fontes :wink:
O processo de pesquisa, extração, análise, checagem e publicação de dados públicos, está se aproximando, convergindo aos processos científicos.

… e, para tentar consolidar uma resposta à pergunta sobre o que haveria de novo nas fakenws… Acho que a novidade na atuação dos fact-checkers é muito mais estratégia e de escala:

  1. Escala de tempo: estratégia de resposponder em tempo real. Quando o Trump fala bobagem, não esperamos mais do que alguns segundos para os fact-checkers tocarem o alarme da mentira, ao melhor estilo “mata a cobra e mostra o pau”, com fontes e provas.

  2. Escala de alocação de recursos e comunidades: a Internet inteira, do google aos portais de transparência, do IBGE a IBM-Watson. Inferências, consultas e recuperação de dados relevantes, nunca tiveram antes tantos recursos “sobrando” ao seu dispor.

  3. Estratégia de focar apenas naquilo que tem prova, contundentes e sem margem para mais discussão. Fact-checkers não perdem tempo falando de algo que poderá ser contestado, se especializam em lidar com “verdades consensuais” e “provas irrefutáveis”.

Em alguns casos, também usam a estratégia de não deixar lacunas (completeza da verificação). Checam todas as abobrinhas, até porque a quantidade de mentiras, a proporção asserções falsas/verdadeiras de um discurso, é também um dado relevante.


#9

Ni! Seguindo na linha do que a @HeloPait desenvolveu sobre o que eu dissera. Não acho que ‘fact-checking’ em si seja nosso alvo, justamente porque isso está já em curso. O que podemos fazer é estimular uma nova cultura de exigência, e prover recursos sociotécnicos para viabilizá-la, tanto do lado da mídia como dos cidadãos.

Uma cultura onde a expectativa seja que produtores de notícias distinguam claramente quando estão publicando uma notícia de fonte privada - nos solicitando a dar-lhes crédito - e quando estão relatando algo sobre o qual podem prover publicamente evidências: dados, registros multimídia, publicações de terceiros. E, neste caso, que publiquem junto às matérias links para essas fontes, e não as escondam do leitor com o intuito de monopolizar sua atenção, como é corrente hoje.

Ao mesmo tempo, acho possível trabalharmos com algumas agências de notícias e jornais para esse fim cultural, que precisa de alguns bons exemplos de toda forma, também para difundir esse debate, abrindo-o sempre que tivermos oportunidade.

Assim como poderíamos e deveríamos, como prioridade, trabalhar diretamente com a população. Até porque para os produtores de notícias só será interessante abrir as fontes se houver uma demanda e uma conscientização de que, ao fazerem isso, eles se tornam fontes de informação superiores às outras e merecem mais audiência e crédito.

Alternativamente, num olhar mais intervenção técnopolítica, poderia-se desenvolver uma plataforma colaborativa onde as pessoas atribuiríam fontes e citações à notícias, de forma que ao ver uma notícia eu possa ir a essa plataforma e ela me permitiria, a partir do título ou do url da notícia, acessar, adicionar e curar links para as fontes usadas - os dados, materiais, artigos ou outras notícias nas quais a notícia se fundamenta.


#10

Bom dia pessoal!
Faz sentido o que está sendo discutido.
O que acham da gente organizar um encontro, online e offline, para avaliar o que de fato teríamos capacidade de fazer no próximo ano (de eleições)?
Estou pensando para julho ou agosto o encontro, algo informal e com o objetivo de tirar um plano de trabalho.
O que acham?
Abraços!
Ariel


#11

Olá @gabrielbung, tentarei responder e comentar as suas ótimas colocações.


Acho que isso é hoje o maior problema democrático nacional…

Concordo! não sei se o maior, mas políticos mentirosos (que contradizem os dados) e falaciosos (que distorcem a lógica dos dados), apoiados por imprensa que legitima suas mentiras, é um dos 10 maiores :wink:

Para organizar melhor a discussão, convencionei uma linha divisória (e não sei se todos aqui concordam com essa linha) entre “mentira na mídia” (que inclui fake news) e “mentira eleitoreira”:

  • nos dois poderes, legislativo e executivo: os candidatos que se elegem e se perpetuam no poder, por conquistar corações através da mentira.
    Digo “corações”, pois se fossem cérebros não haveria esse problema :slight_smile:

  • no quarto poder (na mídia): quando a mídia apoia mentiras, no lugar de fiscalizar e auditorar a verdade.

… A nossa “democracia” é tão frágil que nem percebemos a diferença do propaganda de sabonete para a propaganda política, ainda assim acho que vale a pena traçar uma linha divisória, o que você acha?

PS: entendo que o fake no discurso político é a preocupação do @arielkogan, quando expressa que vai ser “uma das questões chaves das eleições de 2018” e lembra o quanto “afeta diretamente a qualidade da nossa democracia”.
Na divisão que coloquei, o fake news da mídia, quando se mistura com as estratégias de marketing político, passaria a ser também parte desse desiquilíbrio politico, e portanto dessa proposta da OKBr-2018.

Assim, acho que a melhor maneira de combater isso é por meio de uma CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO. Demonstrar o quão pernicioso pode ser a propagação de uma falsidade… das consequencias legais disso…

Aí discordo um pouco… Acredito que, no fundo, bem lá no fundo, o que precisamos é de maior número e maior qualidade de escolas, melhores salários aos professores, mais laboratórios de exatas, etc. Seria muito delicado defender uma “campanha de conscientização” desse tipo, sem antes apoiar (ou demonstrar que a OKBr apoiou em paralelo) de forma relevante o problema mais básico da educação. O estímulo ao pensamento crítico infelizmente não pode ser conseguido com simples campanhas, requer educação básica, séria e continuada.

(…) de repensar e se informar antes de replicar uma noticia… cobrar as fontes desta noticia?

Essa parte concordo e apoio. Acredito que seja mais viável para a OKBr.

Sugestão: veja o artigo que citei acima da Wikipedia:

  • 350 referências foram coletadas e endossadas por mais de 100 colaboradores.
  • FAKE: na época, nos dias em que ocorreu, a polícia, o governo e a imprensa não falavam nem sequer de 1 milhão de pessoas nas ruas.
  • VERDADE: mais de 1,5 milhões de pessoas foram às ruas.

A verdade é uma construção coletiva, de testemunhos e confirmações. A nossa imprensa não tem dado voz às vozes das ruas, ao que não consideram “informante consagrado” por ela mesma. Neste caso particular a mídia de massa se colocou como “deusa unisciente”, “testemunha unipresente”… Todos nós somos testemunhos (!), e a metodologia utilizada na Wikipedia foi justamente a de garantir a verdade de todos os testemunhos — mais tarde esses dados de grande pluralidade se confirmaram com contagens mais científicas por fotos aéreas, verificações nas redes (milhares de fotos das ruas), etc. e até mesmo a o DataFolha tentou (tardiamente) se corrigir.

Esses 100 colaboradores, que colocaram a mão-na-massa e acompanharam o processo de “construção da verdade”, se conscientizaram… Se o que você sugeriu como CAMPANHA puder ser interpretado não como campanha de marketing, mas como “construção mão-na-massa”, aí concordo :wink:


#12

Mais pra registrar duas iniciativas. Um curso bem curioso na U. de Washington…

Dêem uma olhada no syllabus :wink:

E o @arielkogan recentemente me mostrou tb um novo projeto do Jimbo:


#13

Fake news é um “gancho” para a necessidade de termos bases factuais para nossas opiniões.


#14

Na mesma linha que o ultimo post do @solstag (só pra registrar) e aproveitando para reforçar a posição final da @HeloPait: http://schema.org/ClaimReview

A organização das matérias relativas a fact-check requerem controle, e a marcação semântica, proporcionada pelo padrão SchemaOrg (link acima), aliada ao controle da comunidade (curadorias!) garante esse controle.

Ainda sobre marcação semântica, é importante priorizar a marcação direta dos conteúdos da Internet, para que os elementos marcados possam ser simultaneamente auditados por humanos e máquinas. Ver https://stackoverflow.com/a/43960968/287948
Isso vale também para a marcação das fontes primárias, tais como as matérias (compiladas) dos Diários Oficiais.


#15

@arielkogan, @solstag, @gabrielbung, @HeloPait,

Oi gente, que tal consolidar e começar algo? Ao menos registrar um esboço de projeto ou esboço de ação… precisamos nos planejar para 2018!

Podemos nos nortear por uma estratégia… Gostei desta simples, de um parceiro da OKI,

Em vez de perder o tempo culpando a mídia ou condenando o cérebro humano, desenvolvemos material de ensino gratuito para desmantelar os equívocos e promover uma visão de mundo baseada em fato.
http://www.gapminder.org/about-gapminder/


Organizando as sugestões listadas até aqui:

  1. Foco: “… vai ser uma das questões chaves das eleições de 2018”“levantar boas práticas de fact checking pelo mundo”

  2. “nossa missão de criar uma cultura de busca de dados”:

    2.1. Manual simplificado de busca de dados: “O que se poderia fazer para as eleições 2018 é um post ou um manual simplificado de busca de dados, voltado para a população, explicando onde estão os principais dados que serão usados em campanhas, de saneamento, educação, PIB, crime, etc.”
    Os nossos projetos ODI, GastosAbertos, Cuidando, etc. já fazem um pouquinho disso, e outra centena de sites e projetos bacanas que precisamos dar apoio, alguns até do governo, também fazem isso.
    Eu sugiro já começarmos um esboço desse Guia na Wiki para podermos sobre o esboço criar um projeto mais bem fundamentado quando chegar a hora. Se chegarmos a um consenso e o guia for pequeno, posso adicionar mais um a http://miniguias.ok.org.br

    2.2. Curadoria de fontes: podemos estabelecer as fontes onde as verdades mais gerais do tipo “1+1=2” já foram bem confirmadas. Estamos fazendo isso por exemplo no Observatório-JATS e no QueriDO, mas ambos ainda engatinhando. Algo menos ambicioso seria uma simples lista de links de sites com dados mais confiáveis.

    2.3. Guia das falácias. Já existe aqui na Wikipedia, mas não é lá muito didático, portanto podemos ajudar e até buscar dinheiro para quem ajudar.

  3. “O que podemos fazer é estimular uma nova cultura de exigência (de fact-checking), e prover recursos sociotécnicos para viabilizá-la, tanto do lado da mídia como dos cidadãos”.
    Ativismo com petições? Exigências nos partidos durantes as prévias partidárias?

  4. Campanha de conscientização dos efeitos: “Demonstrar o quão pernicioso pode ser a propagação de uma falsidade”
    (interpretando) Consiste em ser didático mostrando simulações e enfatizando a responsabilidade de cada um por aceitar (sem verificar) mentiras como se fossem verdades?

  5. “Alternativamente, num olhar mais intervenção técnopolítica, poderia-se desenvolver uma plataforma colaborativa onde as pessoas atribuiríam fontes e citações à notícias”.
    Entendo que isso já exista, é a Wikipedia (e Wikinews, etc.)… o que falta é uma curadoria para selecionar artigos a priorizar, e uma comunidade ativa (ou paga) para fazer essa revisão. Existe como fazer software que automatize uma parte do trabalho, vide artigo Cidades participantes dos protestos no Brasil em 2013 (software que apoiou).


Que tal votar os itens acima?
Em quais itens investir acham que vale a pena a OKBR investir em 2018?


#16

Algoritmo interessante para solucionar problemas típicos de fake news, do Edgar Marx et al., pesquisador brasileiro na Alemanha,

Triple Scoring Using a Hybrid Fact Validation Approach, The Catsear Triple Scorer at WSDM Cup 2017
ganhou o quarto lugar global no WSDM Cup concorrendo com empresas grandes como Yahoo Labs.

… A proposta fundamenta e vai de encontro com o uso prático das tecnologias da Web Semântica, que descentralizam a autoridade da “Verdade”… Sistemas de Hybrid fact validation, como esse do Catser, seriam uma ótima ferramenta para datasets de fatos organizados pela OKBR, e para jornalistas em geral (!).


#17

Olá!

Sou novata por aqui! Descobri a OKBr por conta de um MBA em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial que faço na UFRJ.

Estou na fase final do curso, no momento do TCC. Meu grupo está utilizando design thinking para desenvolver um projeto que começou apenas querendo tratar do engajamento político no Brasil (ou, em muitos casos, a falta dele). Através das pesquisas e conversas com especialistas optamos por escolher o ramo da comunicação, mais especificamente as redes sociais. Então estamos desenvolvendo um modelo de engajamento político nas redes sociais.

Durante esse projeto temos nos debruçado sobre o assunto “fake news” frequentemente. Eu concordo quando dizem que não é novidade, pois é um tema que existe desde que o mundo é mundo. Porém, acredito que seja nova a proporção que elas vem tomando.

Gostaria de saber se vocês têm desenvolvido alguma das ideias aqui propostas, pois tenho muito interesse em colaborar nesse trabalho. Inclusive, podemos utilizar o modelo de engajamento que estamos desenvolvendo na divulgação do projeto.

Abs!


#18

Bom dia Clara,
Você conhece o https://naovaletudo.com.br
A Open Knowledge Brasil ajudou a construir.
Fico a disposição.
Abraços,
Ariel


#19

Olá Ariel,

muito obrigada pela indicação. Eu não conhecia esse movimento. Aproveito para parabenizá-los por essa iniciativa tão oportuna!

Na verdade esse projeto de TCC está nos mostrando que já existem muitos movimentos interessantes. E aí nos veio o questionamento “como nós não sabíamos da existência de todas essas iniciativas, sendo que nos interessamos pelo tema?”.

Essa pergunta foi a essência da nossa escolha por estudar mecanismos de comunicação que podem ser usados para mobilizar e engajar pessoas em movimentos politicos. Montamos um pequeno formulário que servirá para ampliar a nossa compreensão sobre como esses movimentos trabalham a comunicação para o engajamento.

Venho aqui humildemente pedir a vocês, que trabalham com engajamento (não importa se em instituição, ONG, ou na vida pessoal), poderiam responder a este curtíssimo formulário?

Caso queiram saber mais sobre o projeto, ou precisem de uma voluntária, fico à disposição.

Abraços!